Foi-se o tempo em que esperávamos meses pela chegada ao país de lançamentos importantes mostrados nos principais salões internacionais. Alguns modelos importados, até mesmo de marcas tradicionais, demoravam períodos maiores que um ano para desembarcar em solo nacional. As vendas internas não decolavam, pois a compra de carros Brasil afora, esbarrava nos juros altos e na falta de crédito e a desconfiança com a economia fazia os consumidores segurarem o pouco que tinham no bolso. Claro que as últimas crises financeiras com conseqüente elevação do dólar e desvalorização da nossa moeda, tiveram sua parte de contribuição nas causas daquele cenário obscuro, mas por outro lado não justificavam o descaso com o consumidor nacional que ficou preso ao que o mercado oferecia, ou seja, às adaptações locais e verdadeiras carroças com preços exorbitantes. Naquele cenário ficou evidente que o que vale mesmo para quem vende carro no nosso país é o lucro e não a satisfação do consumidor.

Passado alguns anos o cenário é outro, a economia vai de “vento em polpa” e finalmente o consumidor com dinheiro no bolso agora dita as regras. Nunca a quantidade de crédito e as famosas parcelas a perder de vista foram tão abundantes. O setor vem batendo recordes e mais recordes a cada mês e as marcas agora brigam pelo consumidor e fazem verdadeiras loucuras para cativar aquele que sempre foi desprezado no passado. Além do mais, essa mudança de cenário e de atitude combinou com a chegada das temidas marcas asiáticas, com produtos bem equipados e preço baixo, apesar da qualidade duvidosa de alguns. Isso mexeu com a mesmice do mercado e fez acordar as marcas tradicionais para uma nova realidade. Pra completar, nunca a quantidade de novas marcas chegando foi tão grande e obviamente elas devem fazer de tudo pra roubar os consumidores das outras. Com isso o mais beneficiado será o consumidor, que com mais opções e mais concorrência verá os preços entrando em um patamar aceitável. Claro que ainda não será o ideal, pois os impostos embutidos no valor final de cada veículo não vão sumir da noite para o dia e ainda corresponderão por boa tarde do valor final. Porém, pelo menos dessa vez, no final das contas pagaremos menos por mais, ao contrário do mais por menos do passado.

Pra finalizar, fica claro agora que quem não respeitar o consumidor e não vender produtos com qualidade e preços condizentes vai ficar de fora do “bolo” e depois pra correr atrás será tarde demais, pois finalmente quem dita as regras do jogo finalmente é o consumidor. Viva os novos tempos!